“American Fiction” (título original), um filme de 2023 dirigido por Cord Jefferson, tem causado impacto tanto no público quanto na crítica, e com razão. A obra, que pode ser encontrada em portais de cinema e é um produto inegavelmente do Portal dos Estados Unidos, mergulha em temas complexos como raça, identidade, e a mercantilização da cultura negra na indústria editorial americana. O filme, baseado no romance “Erasure” de Percival Everett, é uma sátira inteligente e incisiva que nos força a confrontar preconceitos e expectativas, tanto internas quanto externas.

A trama acompanha Thelonious “Monk” Ellison, um professor de literatura negra frustrado com o sucesso de livros que, em sua opinião, perpetuam estereótipos raciais. Cansado de ver a literatura negra reduzida a narrativas simplistas de pobreza, violência e opressão, Monk decide escrever um livro sob um pseudônimo que personifica esses mesmos estereótipos. Para sua surpresa, o livro, intitulado “My Pafology”, torna-se um sucesso estrondoso, catapultando Monk para o centro de um mundo que ele despreza.
A premissa de “American Fiction” é, por si só, provocativa. A ironia de Monk, um intelectual negro, ter sucesso apenas quando se apropria e exagera os clichês raciais é um comentário mordaz sobre a demanda por “autenticidade” na literatura negra. O filme questiona o que significa ser “autêntico” e como a indústria editorial molda e distorce a percepção da identidade negra.
A Sátira Afiada e a Crítica Social
Jefferson não se contenta em apenas apresentar a premissa. Ele a explora em profundidade, expondo a hipocrisia e o oportunismo que permeiam a indústria editorial. As cenas que mostram os executivos de editoras e os críticos literários elogiando “My Pafology” por sua “autenticidade” são hilárias e perturbadoras ao mesmo tempo. O filme critica a tendência de reduzir a experiência negra a uma narrativa única e simplificada, ignorando a diversidade e a complexidade da vida negra.
A crítica social de “American Fiction” não se limita à indústria editorial. O filme também aborda questões mais amplas de identidade e pertencimento. Monk, um intelectual de classe média alta, se sente deslocado tanto no mundo acadêmico, onde é visto como “não negro o suficiente”, quanto na comunidade negra, onde é criticado por sua “falta de autenticidade”. Essa sensação de deslocamento é algo com que muitos negros podem se identificar, e o filme oferece uma reflexão perspicaz sobre os desafios de navegar em identidades múltiplas e complexas.
O Desempenho Excepcional do Elenco
O sucesso de “American Fiction” se deve, em grande parte, ao desempenho excepcional do elenco. Jeffrey Wright, no papel de Monk, entrega uma performance nuanceada e convincente. Ele captura a inteligência, a frustração e a vulnerabilidade do personagem com maestria. Tracee Ellis Ross, Erika Alexander, Sterling K. Brown e John Ortiz também entregam performances memoráveis, cada um contribuindo para a riqueza e a complexidade do filme.
A Relevância da Obra e o Debate Sobre “Autenticidade”
“American Fiction” é um filme relevante e oportuno. Em um momento em que a diversidade e a inclusão estão no centro do debate público, o filme oferece uma perspectiva perspicaz sobre os desafios de representar a experiência negra de forma autêntica e significativa. O filme nos força a questionar nossas próprias expectativas e preconceitos, e a repensar o que significa ser “autêntico” em um mundo cada vez mais complexo e interconectado.
O debate sobre “autenticidade” é central para a compreensão de “American Fiction”. O filme questiona a ideia de que existe uma única maneira de ser negro e critica a tendência de julgar a autenticidade de alguém com base em estereótipos e expectativas. Monk, ao escrever “My Pafology”, satiriza essa tendência, expondo a absurdidade de reduzir a experiência negra a uma caricatura.
American Fiction. 2023. 1h 57m. 6,8 15 tys. ocen. 6,5 59 krytyków. Sfrustrowany pisarz – zmęczony ciągłym wykorzystywaniem “czarnej” rozrywki bazującej na .